Origem da Páscoa

Assim como no Brasil e em outros países onde a maioria da população é católica, a Páscoa na Itália é um feriado religioso. A data é comemorada todos os anos no primeiro domingo depois da primeira lua cheia do outono no Hemisfério Sul (ou da primavera no Hemisfério Norte). Alguns dos principais feriados comemorativos dos católicos tem sua data definida a partir da data da Páscoa, incluímos aí o Carnaval, que, apesar de não ser um evento religioso.
Mas antes de falarmos como é celebrada a Páscoa na Itália, vamos entender o significado desta data religiosa tão importante para a Igreja Católica.
Origem da Páscoa
Moisés abrindo o Mar Vermelho para a passagem dos hebreus.
A Páscoa marca o encerramento da Semana Santa, e as comemorações se iniciam na Sexta-Feira Santa. Mas, o que pouca gente sabe é que, originalmente, a Páscoa não era uma festa cristã.
A origem da celebração da Páscoa vem das tradições judaicas relatadas no Antigo Testamento, no livro “Êxodo”, que significa “saída”. Ele conta como o povo judeu fugiu do Egito e se libertou da escravidão, após Ramsés II, Rei do Egito, temer que o crescimento do povo de Israel enfraquecesse seu poder e colocasse seu trono a prêmio. Ramsés II passou a dar ordens que levaram os judeus a um período de grande sofrimento. Conta a Bíblia que para dar fim ao sofrimento de seu povo, Deus escolheu Moisés para tirá-los do Egito e lhe deu os poderes necessários para que cumprisse sua missão. A Semana Santa simboliza o período em que o povo hebreu iniciou sua jornada de saída do Egito, e por ordens de Deus deveriam se alimentar apenas de pão sem fermento e no último dia, o que explica o jejum que muitas pessoas fazem, quando já estivessem fora do Egito seria festejada o Pessach, ou a primeira Páscoa.
A palavra Páscoa é derivada do nome dado a essa celebração Pessach, que em hebraico significa passagem. Para os católicos, Jesus Cristo deu novo significado à Páscoa trazendo a esperança de uma vida melhor.
Ainda hoje, os judeus celebram a Páscoa, mas de uma forma bem diferente da cristã, relembram o sofrimento de seu povo.
A Páscoa de Hoje
Voltando aos dias de hoje. Lá na Itália, além da grande maioria ser católica, as pessoas também gostam de festa como no Brasil, e por isso aproveitam bastante o feriado prolongado. Muitas tradições são mantidas desde muito tempo, mas, é claro, que muita coisa nova vem se agregando a Páscoa, como os deliciosos e tentadores ovos de chocolate. Calma que já já falamos deles.
Destrinchando a Semana Santa
Durante a Quaresma, 40 dias antes da Semana Santa e da Páscoa, os cristãos fazem penitências em memória dos 40 dias de sofrimento que Jesus passou no deserto até ser crucificado.
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa e relembra a chegada de Jesus a Jerusalém, e o momento em que as pessoas cobriam a estrada com folhas da palmeira, celebrando sua chegada.
Durante a Semana Santa tanto a Igreja como a própria comunidade realizam vários eventos, como procissões, rituais religiosos, encenações sacras, festas e tradições populares para comemorar a Paixão de Cristo.
Ao longo da Semana Santa é comum também a encenação de passagens bíblicas como a Última Ceia, o ritual de Lava-pés, a traição de Judas, o Calvário, a morte de Cristo e sua Ressurreição.
Na Quinta-Feira Santa, o dia começa com a Missa de Crisma, onde são consagrados os óleos santos que serão utilizados na Crisma, Unção de Enfermos e Batismo. Também é realizado o ritual de lavagem dos pés. A Quaresma termina as 9 horas de quinta e se inicia a Páscoa.
A Sexta-Feira Santa, ou Sexta-Feira da Paixão, é dia de celebra a paixão e morte de Jesus crucificado, por isso o luto. As procissões noturnas são iluminadas por velas e tochas e percorrem um longo caminho com cantos e orações de lamento. Nas missas não se faz a eucaristia.
Em algumas cidades da Itália é encenado o “encontro” entre Maria e Jesus Cristo antes de sua crucificação.
Muitos católicos deixam de comer carne vermelha na Sexta Feira Santa, alguns durante os 40 dias de Quaresma, alusão feita pela Igreja ao sangue derramado de Cristo.
O Sábado Santo, ou Sábado de Aleluia, é o único dia onde não ocorre liturgia e não se celebra nem as tradicionais missas de sábado. A tradição diz que as imagens do Santíssimo devem ser guardadas na sacristia durante o dia de sábado.
E o Domingo de Páscoa, é o momento de celebrar a Ressurreição de Cristo e sua primeira aparição entre os seus discípulos. É, sem dúvida, a principal data festiva para os católicos depois do Natal.
É por isso que o Domingo de Páscoa é um dia de alegria, após o longo período de jejum da Quaresma, o domingo é celebrado com uma bela ceia, com muitos pães, cordeiro, tortas salgadas, muita fartura e claro muito vinho.
Alguns Ritos e Tradições de Páscoa na Itália
Algumas cidades italianas tem tradições bastante diferentes e inusitadas também. Algumas dessas tradições são seguidas por fieis desde a antiguidade, e até hoje são reproduzidas durante a Páscoa na Itália.
Vamos conhecer algumas delas, a começar por Roma, que mudou muito suas tradições por conta do Vaticano e passando por outras tradições bem fortes e até mesmo violentas.
Segundo conta a história, os antigos romanos comemoravam a Páscoa com um culto à fertilidade, onde as crianças saiam em busca de ovos escondidos pela casas e em troca ganhavam doces. Ainda hoje, lá e aqui no Brasil, famílias se divertem com esse costume no Domingo de Páscoa. Hoje, Roma celebra a Páscoa de forma muito diferente, com solenidade e austeridade litúrgica comandadas pelo e acompanhada por milhares de peregrinos do mundo todo. A ápice dessas celebrações da Semana Santa, em Roma, é a benção anual Urbi et Orbi, “à cidade de Roma e ao mundo”, feita na Praça São Pedro.
Em Villarosa, na Sicília, a Sexta-feira Santa é celebrada com tradições únicas que só vemos por lá. A população se veste de branco saem encapuzados pelas ruas.
Na madrugada de sexta para sábado, os fiéis mais extremistas de Nocera Terinese, na Calábria, fazem um ritual bastante agressivo para quem não está acostumado, onde os fiéis se açoitam em rituais de auto-flagelação, identificada como uma prática da Idade Média.
Escondida nas montanhas Dolomitas, Val Gardena preserva uma antiga e curiosa tradição, a Ji a ueves, no dialeto local. No dia de São José, 19 de março, os solteiros da cidade vão até as casas onde moram moças solteiras e encomendam ovos pintados que serão recolhidos na segunda-feira de Páscoa. Se uma moça solteira se interessar por algum dos rapazes, ela pintará o ovo diferente de todos os outros, assim o pretendente saberá que é correspondido. Os ovos que não forem entregues devem ser enterrados sob a neve. Mais tarde, durante a primavera, e com o degelo da neve as crianças vão se divertir encontrando os ovos que foram enterrados.
E você deve estar se perguntando: “Mas e o Ovo de Páscoa?
Ok, vamos a ele. A Páscoa na Itália também tem essa tradição, moderna diga-se de passagem, de presentear os entes e amigos queridos com ovos de chocolate. Talvez não com tanta força “comercial” como aqui no Brasil.
O hábito de dar ovos, de verdade, é uma tradição pagã muito antiga, que foi adaptada pelos franceses.
Antes do ovo de chocolate, as pessoas trocavam ovos de galinha. Em alguns lugares, as pessoas decoravam as cascas dos ovos antes de presentear alguém (para quem já passou de certa idade, vai se lembrar de ter feito carinhas e pinturas em casas de ovos no tempo da escola). Os chineses e os ucranianos, por exemplo, tinham o hábito de presentear com ovos para celebrar a chegada da primavera, simbolizando o início da vida.
Mais adiante no tempo, os cristãos acabaram se apropriando dessa tradição, e para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Cristo, passaram a dar ovos decorados com figuras religiosas.
Na Inglaterra, no século X, o rei Eduardo I presenteava nobres e súditos com ovos de galinha banhados em ouro ou decorados com pedras preciosas na Páscoa, afinal ele era o rei da Inglaterra.
Só no século XVIII é que alguns confeiteiros franceses tiveram a ideia de fazer os ovos com chocolate – iguaria que acabava de chegar das colônias na América.
O Coelho da Páscoa surgiu mais ou menos na mesma época, a imagem do Coelho foi associada aos ovos de Páscoa por conta do tamanho da sua ninhada. Queriam mostrar que a mensagem de paz e amor da Jesus Cristo poderia se reproduzir entre os homens com a mesma velocidade do Coelho, que mais que se deleitar com ovos de chocolate, a Páscoa é uma data para comemorar a renovação da fé e a paz entre os homens de boa vontade.




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